
Se é pra ter e perder, eu prefiro nem saber que existe. Quem foi o estúpido, idiota, refugo da humanidade, besta abaixo da qualificação em qualquer idioma, que disse que lutar e perder é melhor que não lutar?
O que diria esse indigente mental se tivesse, por uma noite toda, uma mulher maravilhosa ao seu lado, obviamente não interessada, mas ao mesmo tempo solicita e simpática; que o acompanhasse até o quarto e ficasse lá, conversado ninharias; e não arriscasse nada, por medo da conseqüência –e que conseqüência seria essa? Passar recibo de idiota? O mundo acabaria?--, criar um clima horrível?
Eu prefiro não saber que as coisas boas existem. Prefiro que a minha vida seja uma merda, ou que flutue perto daquela mediocridade insossa, inodora e insípida, a arriscar que ela se torne uma bosta maior ainda.
Pra que arriscar? Eu me lembro do filme “Entrevista com o Vampiro”: o personagem do Brad Pitt ia atrás de roedores, galinhas, bebia o sangue de qualquer coisa porque não se atrevia a matar pessoas. Eu tenho de me virar com qualquer coisa –mulheres, é a isso que me refiro—porque não me arrisco a fazer papel de idiota com a rainha do baile, a miss-seja-de-onde-for, a gatinha da sala ou a gostosa da rua...
O bom de entrar em uma partida já derrotado é que você não precisa fazer mais nada: não se tem mais como ganhar e não se tem mais nada a perder. Então... pra quê?
Quando eu chegar aos 40 anos assim, e tudo é deprimente: uma vida desperdiçada. Enquanto a juventude e a alguma beleza atribuída à juventude estavam ao meu lado, não fiz nada –ou muito pouco. A essa idade, já não tenho mais essas vantagens estratégicas, e tudo fica mais difícil –com as mulheres. Sem símbolos óbvios de --algum—sucesso, fica virtualmente impossível. É até de se perguntar como foi que consegui os pequenos avanços que consegui faz uns meses aí.
Carro ainda impressiona, mas eu não provavelmente não terei um. Serei um fracassado como fobia de mulheres e cachorros, sem carro, casa, mulher ou até mesmo emprego...
É mas não me preocupo porque de certa forma esse pessimismo servi como um auto-cura para a minha "auto-doença". Sei que isso os parece muito estranho ou até elouquente de minha parte mas não há nada que faça tanto sentido para mim do que isso -podem ter certeza.
Sentimentos oprimidos pela propria liberdade. É engraçado quando vemos outro ser-humano se auto-jugando, porque nos jugamos primeiro os outros e depois a nos mesmo, e isso se torna incomum, mas é isso que faço.
Sabe na frente do espelho dá desgosto parar: a careca cada vez mais pronunciada, e a preguiça afetou até o único ritual de vaidade que eu tinha –a freqüência com que eu cortava o maldito resquício do nosso elo com os primatas. Magrelo, nojento, careca, desdentado, -é isso que você está se tornando!. E tudo tão ao seu alcance de mudar... Quando foi que você desistiu de tentar? Mas eu alguma vez tentei?
Fiz por merecer a rainha do baile? A forma de atleta que eu queria ter? O que me custa buscar essas coisas? Mudanças de atitude que parecem não estar mais ao meu alcance, é isso que custa.
Quando foi que eu me senti tão perdido? Eu me senti assim antes já. Mas não lembro quando foi. Pros derrotados todo momento é o agora. As lembranças não parecem dele; se misturam com as fantasias do que ele gostaria que tivesse sido o passado. E isso porque até ele sente vergonha do próprio passado. Apaga coisas que constrangem, contra pra si mesmo a ilusão que ele gostaria que tivesse sido o próprio passado até ele mesmo se convencer que foi como ele queria que fosse e não o fiasco original que de fato foi.
E ele acaba esquecendo mesmo o passado real, e a ilusão se torna o passado.E com o tempo mesmo esse passado deixa de ser algo vivido por ele mesmo... parece lembranças de outra pessoa, o relato de alguém diferente. Fica só a percepção das derrotas atuais, o sentimento de estar por baixo, de perder mesmo disputas que você nunca disputou, de ser derrotado até em lutas que você não tem interesse nenhum em participar.
E como se é derrotado assim? Vendo os outros terem sucesso. Cada vitória alheia é uma afronta, uma derrota.
Mas como você quer vencer se não disputa, se não sai ao mundo e enfrenta, luta, combate essa sensação de derrota?
Mas lutar com o quê? Como matar um monstro com um pedrisco de aquário, com esse despreso total a vida ou como meus pensamentos insanos que vé apenas uma vida ilusoria e fatos que nunca vão acontecer?
"-POR QUE, POR QUE, POR QUE DESISTO ANTES DE O JOGO COMEÇAR?"
EU NÃO PASSO DE UM LEÃO COVARDE, MAS TALVEZ DEVA ACHAR A MINHA CORAGEM NO CAMINHO PARA CIDADE DAS ESMERALDAS PORQUE SE EU ESPERAR PELO MÁGICO DE OZ,
AFFS ...
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